GRUPO QUAVISSS

Este é o espaço virtual de um grupo que dá um duro danado com pesquisas e debates sobre a questão social e sua interface com a area da saúde pública. Trata-se do GRUPO QUAVISSS - Grupo de Estudo e Pesquisas sobre Saúde, Qualidade de Vida e Relações do Trabalho, que é ligado ao Programa de Pós-graduação em Serviço Social da UNESP - Universidade Estadual Paulista, Campus de Franca SP. Segue como linha de pesquisa a expressa como: Serviço Social: formação e prática profissional. Nossa área de interesse específica gira sempre em torno dos temas: saúde-trabalho–qualidade de vida-Serviço Social. Convidamos a todos que se interessarem pelo tema a nos acompanharem e contribuirem com seus trabalhos reflexões e estudos. Nós só existimos porque somos unidos, curiosos em nossas indagações para a realidade e interessados num mundo em que a "saúde para todos" seja uma realidade e não apenas uma frase de efeito.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Programa de Pós Graduação Latu Sensu na modalidade de Residência Multiprofissional e em Área Profissional da Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo


 Programa de Prevenção e Terapêutica Cardiovascular/ Instituto do Coração/ Incor 

Local: Instituto do Coração/HCFMUSP 
Valor da Bolsa de Estudos: R$ 2976,26
Duração de Curso: 24 meses.
Inicio do curso: 03/03/2014
Provas: Dia 01/02/2014 das 8h30 às 11h – Prova objetiva e dia 18/02 Prova pratica - oral e análise de CV, às 9h.
Taxa de Inscrição: R$120,00

Serviço Social 
Número de Vagas: 01
Carga Horária: 60 h Semanais.
Requisitos: graduação em Serviço Social
Período de Inscrição: De 13 a 24/01/2014 das 9h às 15h no Serviço de Cultura e Extensão Universitária da FMUSP – Av. Dr Arnaldo nº 455, 1º andar, sala 1301, bairro de Cerqueira Cesar-SP.
Edital publicado no DOE., Pode Executivo, Seção I, D.O.E. de 10/01/2014, páginas 244 a 250. 

domingo, 22 de setembro de 2013

PROGRAMAÇÃO DO 1º SEMINÁRIO DO GRUPO QUAVISSS E 1º ENCONTRO DE TRABALHADORES DA SAÚDE DE FRANCA E REGIÃO


FORMAÇÃO E TRABALHO NA SAÚDE - REAFIRMANDO O SUS CONSTITUCIONAL”

PERÍODO: DE 25 A 27 DE NOVEMBRO DE 2013

PROGRAMAÇÃO
1º. Dia – 25/11/2013 (2ª. feira)
13 às 17hs – Oficinas Temáticas
1. O Trabalho da Equipe de Saúde na Doação de Órgãos - Márcia Floro, Santa Casa e Grupo QUAVISSS
2. A Judicialização da Saúde e a Atuação do Assistente Social - Danila Carrijo, Grupo QUAVISSS
3. Política de Saúde Mental para Álcool e outras Drogas - Cirlene Barreto - Grupo QUAVISSS
4. Qualidade de Vida e Saúde - Eva Susana Soares - Grupo QUAVISSS

19:30hs – Abertura Oficial e Apresentação Cultural “Militância Poética”
Conferência “Trabalho em Saúde e Saúde do Trabalhador de Saúde”
Regina Maria Giffoni Marsiglia – Núcleo de Estudos e Pesquisa Saúde e Sociedade e Grupo de Pesquisa Recursos Humanos em Saúde, PUC - SP

2º. Dia – 26/11/2013 (3ª. feira)
8:00hs – Mesa Redonda “Em debate a Integração Ensino-Serviço para o SUS”
Mônica Vilchez da Silva – Comissão de Integração Ensino/Serviço - CIES, Macro-região Nordeste Paulista
Adriana Ruzende – Departamento Regional de Saúde - DRS VIII, Franca e Região
Lucy Lene Joazeiro – Centro de Desenvolvimento e Qualificação para o SUS - CDQ/SUS, Franca e Região

13:00hs – Rodas de Conversas
Apresentação de Trabalhos Científicos e Relatos de Experiências dos Serviços de Saúde

19:30hs – Mesa Redonda “A Interdisciplinaridade em Saúde e os desafios contemporâneos”
Maria Lúcia Martinelli – Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Identidade, PUC - SP
Cirlene Ap. Hilário - Grupo de Estudos e Pesquisa Formação Profissional em Serviço Social, UNESP Franca.
Iris Fenner Bertani - Criadora e Líder do Grupo QUAVISSS de 2002/2012, UNESP - Franca.

3º. Dia – 27/11/2013 (4ª. feira)
8:00hs – Conferência “Integralidade da Atenção e a Educação Permanente em Saúde” Cinira Magali Fortuna – Núcleo de Estudos em Saúde Pública, EERP - USP

13:00hs – Rodas de Conversas
Apresentação de Trabalhos Científicos e Relatos de Experiências dos Serviços de Saúde

19:30hs – Conferência “A construção do SUS: o que esperar dos gestores e dos trabalhadores da saúde?”
Geovani Gurgel Aciole da Silva – Grupo de Pesquisa QUÍRON: Estudos e Práticas em Saúde, UFSCar

Objetivo:
O evento tem o objetivo de ser um espaço de debate sobre a política de saúde no contexto da sociedade brasileira e de troca de saberes e práticas desenvolvidas nos cenários do SUS local e regional, intensificando os conhecimentos produzidos na saúde.
O enfrentamento dos desafios teóricos e práticos colocados para as profissões no contexto contemporâneo, não pode prescindir do encontro das ideias, da reflexão, do fortalecimento dos sujeitos que constroem no cotidiano, alternativas e respostas para os problemas da formação e do trabalho na saúde.
Este diálogo entre estudantes, trabalhadores, usuários, gestores, pesquisadores, docentes, é fundamental para fortalecer o compromisso ético e político na defesa do SUS público, universal e integral.
Participe e inscreva seu trabalho!
UNESP –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais - Câmpus de Franca

INSCRIÇÃO DE TRABALHOS ATÉ O DIA 10/10/2013
Eixos Temáticos para inscrição dos trabalhos:
1 - Estado e Saúde na Seguridade Social
2 – Atenção e Práticas em Saúde
3 - Formação e Ensino na Saúde
4 - Gestão do Sistema de Saúde
5 - Controle Social na Saúde
6 - Condições de Vida e Saúde
Os trabalhos podem ser submetidos para avaliação na forma de RESUMOS ou TRABALHOS COMPLETOS. Estamos disponibilizando 2 categorias para apresentação de trabalhos:
• Trabalhos Científicos da Área Acadêmica, concluídos ou em andamento:
Tópicos: Título; Autor (s); Introdução; Objetivos; Metodologia; Resultados; Conclusões/Considerações • Relatos de Experiências dos Serviços de Saúde:
Tópicos: Título da Experiência; Autor (s); Instituição do (s) autor (s); Período de Realização; Caracterização do Problema; Descrição; Resultados; Conclusões e/ou Recomendações.
Normas para inscrição e seleção dos trabalhos, que serão publicados em Anais/CDROM:
1. Resumos, devem conter: Introdução; Objetivo; Metodologia; Resultados; Conclusões/Considerações; sem o emprego de citações bibliográficas e elementos gráficos (figuras, tabelas, etc.).
a) configurar página para papel A4 (margem esquerda, direita, superior e inferior = 2 cm);
b) utilizar, para todo resumo, fonte Times New Roman corpo 12, em espaço simples e alinhamento justificado;
c) na primeira linha, digite o título do trabalho em letras maiúsculas e em negrito;
d) na segunda linha, o(s) nomes(s) e sobrenome(s) do(s) proponentes, todos por extenso;
e) na terceira linha, a afiliação institucional dos autores;
f) o corpo do resumo deverá conter, no máximo, uma lauda.
2. Trabalhos completos, devem obedecer ao seguinte formato em arquivo único:
a) folha de rosto, como garantia de anonimato no processo de avaliação, contendo título do trabalho, nome(s) do(s) autor(es), com respectiva profissão, vínculo institucional e título acadêmico, professor-orientador (quando for o caso), endereço, telefone e e-mail e a vinculação a um eixo temático.
b) Cada trabalho poderá conter até 5 autores. Cada autor poderá estar inscrito em apenas 2 (dois) trabalhos, podendo ser individual e/ou coletivo.
c) Os trabalhos deverão ter de 10 a 15 páginas, devem ser digitados com utilização de editores Word for Windows 6.0 ou 7.0, fonte Times New Roman, corpo 12, espaço um e meio entre as linhas do texto, corpo 9 e espaço simples para citações longas, margens direita, esquerda, superior e inferior 2,5cm.
d) a primeira página do texto deverá incluir, de forma centralizada, o título do trabalho em versal (maiúscula) e negrito, acompanhado do subtítulo, se houver, em redondo (minúscula), sem negrito, o RESUMO de até 100 palavras, com a indicação de três a cinco palavras-chave, sem parágrafo;
e) o texto do trabalho deve começar com a INTRODUÇÃO, seguida das demais seções que constituem o DESENVOLVIMENTO do trabalho, e da Conclusão/Consideração.
Atenção: Não serão aceitos Resumos ou Trabalhos Completos fora das normas
É requisito para apresentação e publicação dos trabalhos a inscrição do(s) autor(s) até o dia 21 de outubro de 2013.
Público Alvo: Estudantes, trabalhadores, usuários, gestores, pesquisadores, docentes, e todos os sujeitos interessados no debate da política nacional de saúde e do SUS local e regional.
Participação aberta a todos os interessados, com inscrições pelo site:
Participação Sem Certificado - a inscrição deve ser realizada por todos no site
Participação Com Certificado - Estudante da Graduação e Curso Técnico R$ 10,00
Participação Com Certificado - Profissional R$ 30,00
Comissão Organizadora!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

UNESP –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais
Campus de Franca

1º. SEMINÁRIO DO GRUPO QUAVISSS E
1º. ENCONTRO DE TRABALHADORES DA SAÚDE DE FRANCA E REGIÃO

“Formação e Trabalho na Saúde - reafirmando o SUS constitucional”
Período: de 25 a 27 de novembro de 2013
O evento tem o objetivo de ser um espaço de debate sobre a política de saúde no contexto da sociedade brasileira e de troca de saberes e práticas desenvolvidas nos cenários do SUS local e regional, intensificando os conhecimentos produzidos na saúde.
O enfrentamento dos desafios teóricos e práticos colocados para as profissões no contexto contemporâneo, não pode prescindir do encontro das ideias, da reflexão, do fortalecimento dos sujeitos que constroem no cotidiano, alternativas e respostas para os problemas da formação e do trabalho na saúde.
Este diálogo entre estudantes, trabalhadores, usuários, gestores, pesquisadores, docentes, é fundamental para fortalecer o compromisso ético e político na defesa do SUS público, universal e integral.
Participe e inscreva seu trabalho!
Eixos Temáticos para inscrição dos trabalhos:
1 - Estado e Saúde na Seguridade Social
2 – Atenção e Práticas em Saúde
3 - Formação e Ensino na Saúde
4 - Gestão do Sistema de Saúde
5 - Controle Social na Saúde
6 - Condições de Vida e Saúde

DATA PARA ENVIO DE TRABALHOS ATÉ O DIA 10/10/2013.
Os trabalhos podem ser submetidos para avaliação na forma de RESUMOS ou TRABALHOS COMPLETOS.

Estamos disponibilizando 2 categorias para apresentação de trabalhos:
• Trabalhos Científicos da Área Acadêmica, concluídos ou em andamento:
- Tópicos: Título; Autor (s); Introdução; Objetivos; Metodologia; Resultados; Conclusões/Considerações • Relatos de Experiências dos Serviços de Saúde:
- Tópicos: Título da Experiência; Autor (s); Instituição do (s) autor (s); Período de Realização; Caracterização do Problema; Descrição; Resultados; Conclusões e/ou Recomendações.
As normas e maiores informações encontram-se no site: http://www.franca.unesp.br/#!/eventos
Público Alvo:
Estudantes, trabalhadores, usuários, gestores, pesquisadores, docentes, e todos os sujeitos interessados no debate da política nacional de saúde e do SUS local e regional.
Participação aberta a todos os interessados, com inscrições pelo site:
Participação Sem Certificado - a inscrição deve ser realizada por todos no site
Participação Com Certificado - Estudante da Graduação e Curso Técnico R$ 10,00
Participação Com Certificado - Profissional R$ 30,00
Comissão Organizadora!

domingo, 8 de setembro de 2013

GRUPO QUAVISSS: UNESP –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mes...

GRUPO QUAVISSS: UNESP –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mes...: UNESP –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Câmpus de Franca Oficina Temática ...



O MÉTODO NA TEORIA SOCIAL DE
MARX: E O SERVIÇO SOCIAL?
METHOD IN MARX’S SOCIAL THEORY: WHAT ABOUT SOCIAL SERVICE?
Raquel Santos Sant’ana1
José Fernando Siqueira da Silva2
RESUMO
Esse artigo trata do método na teoria social de Marx e de sua base ontológica,
materialista e dialética, destacando a pertinência dessa tradição
teórica para os fundamentos do Serviço Social como profissão inserida
na divisão social do trabalho. Tece, ainda, comentários sobre a importância
desse debate para a formação profissional contemporânea e para
a produção de conhecimentos no campo particular do Serviço Social.
Palavras-chave: Método. Ontologia. Fundamentos do Serviço Social.
ABSTRACT
This paper deals with method in Marx´s social theory and its ontological,
materialistic and dialectical basis, with emphasis to the relevance of this
theoretical tradition to the fundaments of Social Service as a profession
inserted in social division of labour. In addition, the paper comments on
the importance of this debate to contemporary professional formation
1 Assistente social e professora adjunta I livre-docente do Departamento de
Serviço Social da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – UNESP-Franca. É
coordenadora do “Núcleo Agrário Terra e Raiz” e pesquisadora do “Grupo de
Estudos e Pesquisas Teoria Social de Marx e Serviço Social”. Vice-coordenadora
da região sul II da ABEPSS (2013-2014). E-mail: raquelssfranca@yahoo.com.br
2 Assistente social e professor adjunto I livre-docente do Departamento de
Serviço Social da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – UNESP-Franca. É
pesquisador do “Grupo de Estudos e Pesquisas Teoria Social de Marx e Serviço
Social”. É bolsista produtividade em Pesquisa do CNPq na área de Serviço Social.
Endereço: E-mail: jfernandoss@terra.com.br
Brasília (DF), ano 13, n. 25, p. 181-203, jan./jun. 2013.
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and to the production of knowledge in the particular field of Social
Service.
Keywords: Method. Ontology. Fundaments of Social Service.
Submetido em 08/04/2013 Aceito em 04/06/2013
INTRODUÇÃO
O presente artigo foi escrito a partir da experiência profissional
de seus autores como assistentes sociais docentes vinculados
à pesquisa e à formação profissional, militantes e participantes da
proposta da ABEPSS-Itinerante, criada com o objetivo de adensar
os espaços de interlocução sobre os desafios teórico-práticos do
Serviço Social, particularmente aqueles vinculados aos seus fundamentos
como profissão inserida na divisão social do trabalho.
Viabilizada pela gestão da ABEPSS 2010-2011, com base nas discussões
históricas amadurecidas pelo conjunto ABEPSS, CFESS-CRESS
e ENESSO, a ABEPSS-Itinerante, foi direcionada a discentes e profissionais
(vinculados ou não aos centros de formação) e também
apoiou-se na contribuição de docentes-assistentes sociais para o
desenvolvimento de temas centrais à formação profissional nos
dias atuais. Contou, para isso, com o acúmulo crítico-coletivo do
Serviço Social brasileiro, construído, principalmente (mas não
unicamente), a partir da primeira metade dos anos 1990. Esse
processo inspirou a revisão e o amadurecimento do Código de
Ética do assistente social, a definição de diretrizes nacionais para
a formação profissional (com todos seus percalços)3, a criação de
um Projeto Ético-Político Profissional (como direção social estratégica
– NETTO, 2011), bem como contaminou inúmeras lutas
sociais dentro e fora dos espaços de atuação profissional.
O texto que se segue tratará do método na teoria social de
Marx e de suas expressões nos fundamentos do Serviço Social,
discussão que já possui certo acúmulo no Brasil, embora ainda
sofra com a reedição de simplificações e tentações centradas na
sua aplicação direta e utilitarista no Serviço Social (afeita a explicações
comprometidas com esquemas simplificados e grosseiros
3 É preciso lembrar que as diretrizes curriculares aprovadas pelo MEC não
correspondem as que foram originalmente encaminhadas pelos órgãos da
categoria profissional. Apenas para exemplificar, a proposta oficial descarta a
necessidade dos cursos manterem carga horária mínima.
Sant’ana, R. S.; Silva , J. F. S. da. O MÉTODO NA TEORIA SOCIAL DE MARX
Brasília (DF), ano 13, n. 25, p. 181-203, jan./jun. 2013.
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– NETTO, 1991). Indicar a pertinência teórico-prática e ético-política
desse debate para o Serviço Social contemporâneo (com suas
consequências técnico-instrumentais), destacar sua importância
capital para a formação profissional e para a produção de conhecimentos
(entendida como reprodução mental de processos
materiais concretamente fincados em dada realidade – portanto,
histórico-ontológicos), é condição central para um debate qualificado
que reafirme, nas condições sócio-históricas atuais, sem
qualquer concessão idealista ou niilista-imobilista (IAMOMOTO,
1994; 2007), o compromisso atual da profissão com a direção
social edificada nos anos 1990.
ELEMENTOS FUNDANTES DO MÉTODO NA TEORIA SOCIAL
A teoria social de Marx não pode ser entendida como um
conjunto de conhecimentos e receitas científicas que, corretamente
aplicadas, conduzem a determinado saber acadêmico-
-teórico que ocupa seu espaço e oferece sua contribuição no
amplo, “harmônico”, especializado e “plural” campo das ciências
humanas e sociais aplicadas. Não se trata, portanto, de um receituário
científico direcionado à prática e “aos da prática”, forjado
na mente genial dos estudiosos por meio de um esforço teórico-
-intelectual, mentalmente produzido pelos que, munidos de um
acúmulo de conhecimentos e de boas ideias, produzem estudos
acadêmicos. Romper com a noção de aplicação de teorias e de
métodos em uma dada realidade, bem como questionar a ruptura
entre teoria e prática nas suas várias expressões teoricistas e praticistas,
é caminho necessário para apanhar a riqueza da teoria
social de Marx e, nela, o seu método (radicalmente ontológico,
no dizeres de LUKÁCS, 1979b; 2010).
O método em Marx compõe um dos pilares de sua teoria
social. Ele é impensável sem outros dois elementos fundantes: a
teoria do valor trabalho e a perspectiva da revolução como possibilidade
histórica. Esse tripé, necessariamente explicável na sua
unidade-diversa, ou seja, unidade dos diferentes que não os identifica
(mas os particulariza na totalidade da vida social) é orientado
pelo ponto de vista ontológico, isto é, por uma razão que mira a
vida real de seres reais, sua produção e reprodução material e
espiritual como seres sociais de “carne e osso”, concretamente
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existentes para além das mentes pensantes (portanto, materialmente
postos) que vivem em dada historicidade construída a partir
de determinado legado sócio-histórico. Trocando em miúdos,
o método em Marx não é afeito a qualquer abstração técnico-
-científica que privilegia a razão idealista que gira em torno de
si mesma e cria, funda ou domina totalmente a realidade e seu
movimento (ao contrário do idealismo objetivo-dialético de Hegel
e do idealismo subjetivo de Kant, LUKÁCS, 1979a; 2010, p. 33-125),
bem como não aceita concepções materialistas que se confortam
com o imeditamente sensível e emasculam a ação prático-crítica
dos homens como sujeitos históricos possíveis participantes da
práxis social (aos moldes de Feuerbach – MARX; ENGELS, 2007).
Marx destaca, logo na primeira tese sobre Feuerbach:
O principal defeito de todo o materialismo existente
até agora – o de Feuerbach incluído – é que o objeto
[Gegenstand], a realidade, o sensível, só é apreendido
sob a forma do objeto [Objekt] ou da contemplação;
mas não como atividade humana sensível, como
prática, não subjetivamente. Daí decorreu que o
lado ativo, em oposição ao materialismo, foi desenvolvido
pelo idealismo – mas apenas de modo abstrato,
pois naturalmente o idealismo não conhece a
atividade real, sensível como tal [...]. (MARX, 2007,
p. 537, grifo do autor).
O vínculo estrutural do método em Marx com a teoria do
valor trabalho e a perspectiva da revolução (sempre como possibilidade
materialmente posta a partir de condições históricas
reais) possui o exato sentido de explicar a produção e a reprodução
do ser, tendo o trabalho como categoria fundante de sua
sociabilidade como práxis primeira, como categoria que permite
aos homens diminuírem paulatinamente as barreiras naturais,
humanizar a natureza e ser modicado por essa relação. Essa
modificação dá-se a partir da própria força desses homens, sem
eliminar a base natural deles, tendo o trabalho (útil, concreto)
como ponto central para a recriação do ser e de suas relações
humano-naturais. Essa tendência pode ser constatada muito
antes da era do capital, desde o momento, por exemplo, em
que os homens passaram a dominar a técnica da produção do
fogo (sem a necessidade dele ser diariamente mantido aceso)
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ou dominaram técnicas agrícolas e superaram a vida nômade.
O trabalho, como categoria fundante na relação orgânica entre
homem e natureza, certamente enriquecida por momentos de
acaso, foi absolutamente central para a sobrevivência e para a
evolução da espécie humana e continua sendo fundamental para
a diminuição das barreiras naturais nos dias atuais (sem eliminá-
-las por completo)4.
O “outro trabalho”5, o trabalho abstrato-alienado/estranhado,
esse em permanente crise é responsável pela desumanização
humana (MARX, 1983; 1984; 2004). A forma como a
categoria trabalho objetivou-se e particularizou-se no capitalismo,
subsumindo sua dimensão útil e concreta, carece de crítica
permanente, radical, material, capaz de libertá-lo como força
humanizadora dos seres sociais, liberdade essa fundamental para
estimular o desenvolvimento de sua potência humano-genérica,
realizar-se na sua diversidade e colocar sua particularidade a serviço
do coletivo. É nesse sentido que a crítica radical da teoria
valor-trabalho marxiana, sobretudo na explicação dos mecanismos
da extração material da mais-valia, do trabalho como fonte
original do valor nas diferentes fases do capitalismo, adquire
concretude efetiva como possibilidade de ruptura revolucionária,
a partir das contradições internas contidas na própria ordem
burguesa. Isso se baseia no fato de que os mesmos mecanismos
que repõem as condições para a acumulação ampliada do capital
(hoje em sua fase madura como capitalismo monopolista e financeiro,
orientado pelo padrão de acumulação toyotista), recolocam
os próprios mecanismos para sua superação, reafirmando
a desigualdade social estrutural e os dilemas insolúveis contidos
nessa sociabilidade. Portanto, reafirmam as possibilidades
materiais para sua superação contando com a organização do
proletariado clássico e da massa de desapropriados que vivem,
diversamente, hoje, da venda da força de trabalho. A revolução
não é uma abstração, mas uma possibilidade histórica real, cujos
4 Diga-se de passagem, o desenvolvimento das forças produtivas, sob o mando
do capital, atingiu níveis que têm colocado em risco a própria vida no planeta,
inclusive a da espécie humana.
5 Apenas como força de expressão, pois se trata do mesmo trabalho objetivado
sob as condições do capital.
Sant’ana, R. S.; Silva , J. F. S. da. O MÉTODO NA TEORIA SOCIAL DE MARX
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germes constituem estruturalmente o mundo do capital (germes
implícitos na apropriação privada da produção social e na lei geral
da acumulação capitalista – MARX, 1984, p. 187). Sendo assim, a
sociedade do capital, a luta de classes nela implícita, suas próprias
contradições como ordem social, oferecem os elementos
para sua superação material.
As proposições teóricas dos comunistas não se baseiam,
de modo nenhum, em idéias ou em princípios
inventados ou descobertos por este ou aquele
reformador do mundo. São apenas expressões gerais
de relações efetivas de uma luta de classes que
existe, de um movimento histórico que se processa
diante de nossos olhos. [...] a moderna propriedade
privada burguesa é a expressão última e mais acabada
da produção e da apropriação baseada em antagonismos
de classe, na exploração de umas pelas
outras. Neste sentido, os comunistas podem condensar
a sua teoria numa expressão única: supressão
da propriedade privada. [...] (MARX; ENGELS,
1998, p. 21).
Posto isso, é necessário ressaltar que o método na teoria
social de Marx não se vincula a qualquer tipo de abstração, ainda
que jamais se renda às diferentes formas de materialismo que se
limitam a constatar o imediatamente sensível. Não se trata, também,
de estabelecer uma média entre essas dimensões opostas,
mas de superá-las nas suas limitações concretas. O método em
Marx não se compromete com a “coisa da lógica” e nem com a
“aparência da coisa em si”, como ela se apresenta imediatamente
aos olhos do ser. A razão não funda o real, mas persegue seu
movimento reproduzindo-o, mentalmente, como “lógica da coisa
(MARX, 2005, p. 39), como “concreto pensado” (MARX, 1989, p.
410). A realidade em si, por sua vez, não se revela naturalmente,
sensivelmente, imediatamente, pois carece de desconstrução
impensável sem a razão crítica que se debruça sobre ela, projetando
previamente (teleologicamente) ações possíveis, reais,
sobre o mundo material. Portanto, os homens possuem um papel
ativo (embora relativo) na construção da realidade, já que ajudam
a construir a sua própria história, ao mesmo tempo em que
são igualmente tecidos por ela, limitados pelas condições materiais
impostas por determinada historicidade. Não fazem história
Sant’ana, R. S.; Silva , J. F. S. da. O MÉTODO NA TEORIA SOCIAL DE MARX
Brasília (DF), ano 13, n. 25, p. 181-203, jan./jun. 2013.
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como desejam, mas como podem fazê-la, tecendo-a em um processo
altamente complexo e repleto de múltiplas contradições. É
nesse processo material-intelectual que se formam as consciências
(em si – para si), se tecem as lutas materiais por interesses de
classes sociais reais, se estabelecem as ideologias (como generalizações
parciais do real), se reconstroem mediações e alternativas
objetivas que visam manter ou transformar a realidade (nas
suas diversas formas).
Ora, essa perspectiva impõe outra forma de se relacionar
com a realidade, funda uma nova relação entre pensamento e
realidade, entre homem e mundo, recoloca em outro patamar o
significado da ciência e da produção do conhecimento, da teoria
e da história, uma vez que estabelece o ponto de vista ontológico
(da vida real de seres reais) como referência à práxis social. Como
destaca Lukács (2010, p. 68/71),
É preciso reconhecer que a teoria do conhecimento
é filosoficamente incapaz de realmente compreender
os problemas ontológicos na ciência. [...] Em
contraste decisivo com isso, uma ontologia que realmente
queira apreender o ser precisa ver nesses
fatos mais rudimentares e elementares do ser um
ponto de partida importante para as análises. [...]
O modo de consideração ontológico, que, como vimos,
tem de saber-se e sentir-se capaz de submeter
a uma crítica fundada no ser mesmo as manifestações
mais elaboradas do ser social, precisa mobilizar
constantemente esse método crítico também
em relação à vida cotidiana. [...] A crítica de Marx
é uma crítica ontológica. Parte do fato de que o
ser social, como adaptação ativa do homem ao seu
ambiente, repousa primária e irrevogavelmente na
práxis. Todas as características mais relevantes desse
ser podem, portanto, ser compreendidas apenas
a partir do exame ontológico das premissas, da
essência, das consequências etc. da práxis em sua
constituição verdadeira, ontológica. [...]
As observações tecidas por Lukács remetem a outra importante
categoria contida na teoria social de Marx6: “a categoria da
6 Nunca é demais lembrar que, em Marx, as categorias não são construções
mentais, mas reconstruções de elementos contidos na realidade, por isso
Sant’ana, R. S.; Silva , J. F. S. da. O MÉTODO NA TEORIA SOCIAL DE MARX
Brasília (DF), ano 13, n. 25, p. 181-203, jan./jun. 2013.
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totalidade”. Contida na dinâmica da vida social, essa categoria é
componente da realidade, embora não se revele, imediatamente,
como tal. A realidade é rica em determinações, saturada de múltiplas
mediações que explicam a dinâmica de complexos sociais
materialmente existentes (trabalho, classe social, consciência,
ideologia, pauperismo, entre outros). Ela, todavia, se expressa
apenas imeditamente na esfera da vida cotidiana, como um complexo
aparentemente simples, que elimina – na sua forma sensível-
imediata – o processo que a explica e a constituiu. Chamamos
isso de singularidade da vida social, insuprimível como tal, típica
das relações inicialmente postas e a forma de aparição inicial de
relações complexas. Isso pode ser sinteticamente explicado por
meio de um exemplo relativamente simples: imeditamente, a
mercadoria sapato, ao ser exposta em uma vitrine, elimina todo
processo necessário à sua produção; todavia, esse processo
produtivo está contido, naquele par de sapatos, como trabalho
socialmente acumulado que, devidamente analisado (para
além de sua face imediata), explica não somente a mercadoria
sapato, mas todo processo que o constituiu por meio da produção
de valor objetivada pelo trabalho humano. Ora, trata-se de
relações socialmente constituídas! O segredo desse contexto, seu
fetiche, está em aparentemente eliminar a sua gênese processual
descartando, assim, toda a chave explicativa necessária para apanhar
a vida social como totalidade social. Ao fazer isso, não apenas
fetichiza a mercadoria, mas as relações sociais como um todo,
tomando a parte de um processo como sendo ele por inteiro, a
aparência como essência, o imediato como mediato7.
O “ponto de partida” a que se refere Lukács, na citação
anteriormente descrita, reside exatamente nesse nível: a singularidade
é essencial para a reconstrução do real (insuprimível como
tal e parte da totalidade social), mas insuficiente por se apresentar
sempre imediatamente. Essa desconstrução operada com o
determinado “concreto pensado”.
7 Essa mesma análise pode ser estendida, sob o ponto de vista da totalidade, para
aquilo que frequentemente é denominado no Serviço Social como “expressões
da questão social”. Iamamoto (1994 e 2007, por exemplo) destaca isso em seus
estudos sobre o Serviço Social. Netto (1989, 1991, 1992, 1996 e 2009), igualmente,
faz referência ao tema.
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auxílio da razão dialética e orientada ontologicamente indica que
não se trata apenas de relações imediatamente postas, mas de
relações universais, socialmente explicadas, que remetem ao funcionamento
de dada ordem social, seu metabolismo, sua sociabilidade,
ou seja, a forma como os homens se organizam para
produzir e reproduzir a vida social. Essa universalidade, para que
não se perca em generalizações e abstrações, somente pode ser
apanhada nas suas particularidades, isto é, os complexos sociais
universais não se objetivam igualmente em todas as realidades,
ainda que componham uma universalidade, façam parte de uma
lógica que não se encerra e não se explica pontualmente, localmente,
individualmente. O reino da particularidade é o reino
das mediações, das conexões explicativas realmente existentes e
mentalmente reconstruídas pela razão ontológica. É nessa trama
dinâmica e apenas didaticamente destacada entre o singular, o
universal e o particular, na qual se inscreve a categoria da totalidade,
que constitui a realidade social e que é componente do
método na teoria social de Marx. Sendo assim, a ortodoxia marxiana
reside, unicamente, no seguinte aspecto destacado por
Lukács (1981, p. 60, grifos do autor):
O marxismo ortodoxo não significa, pois, adesão
acrítica aos resultados da pesquisa de Marx, nem
“fé” numa ou noutra tese marxiana ou a exegese
de um texto “sagrado”. A ortodoxia, em matéria de
marxismo, refere-se, ao contrário e exclusivamente,
ao método [...].
As consequências disso são profundas e certeiras: a teoria
não é construção, mas reconstrução, perseguição do movimento
do real, expressão teórica desse movimento (sempre relativa),
comprometida em desvelar o imediatamente posto, revelar suas
particularidades na totalidade da vida social e comprometer-se
com a orientação de ações práticas (como orientação geral e não
como aplicação). Tudo isso é tecido na e a partir da história real
de seres sociais reais, empenhados em alterar (dentro de suas
possibilidades) o curso da história, portanto longe de qualquer
perspectiva que reduza a teoria à aplicação imediata, utilitarista,
bem como nada afeita à noção de ciência linearmente histórica,
que se intitula “neutra”, “a-histórica” e descritiva do real. A
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possibilidade de estabelecer um debate com essa tradição teórica
oferece ao Serviço Social uma riqueza imensurável, necessária
para sua sobrevivência crítica como profissão, dentro de suas
contradições, evitando superestima-lo ou subestima-lo como práxis
profissional. Ousemos nessa direção.
OS FUNDAMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL E
A PERSPECTIVA DA TOTALIDADE
Discutir os fundamentos do Serviço Social sob inspiração da
tradição teórica aqui destacada não é uma tarefa simples. Repleta
de armadilhas que passam pelo perigo de uma redução da teoria
social de Marx ao espaço restrito das profissões, a possibilidade
dessa interlocução deve reconhecer – de início – os desafios e
os cuidados para estabelecer um diálogo crítico entre uma tradição
ontológico-dialética e revolucionária (até aqui sumariamente
destacada) e uma profissão cuja gênese esteve objetivamente
atrelada ao pensamento conservador, à gestão da pobreza e
das contradições sociais estruturais contidas na ordem burguesa
(NETTO, 1991; 1992). Embora essa seja uma questão nevrálgica,
ela não inviabiliza esse debate como também não deixa de considerar
a importância dele para o acúmulo de forças comprometidas
com níveis crescentes de emancipação social, como acúmulo
geral realizado com a contribuição do Serviço Social, mesmo
considerando que tal profissão opera no marco restrito do capitalismo
monopolista na sua fase toyotista-financeirizada e hipertadia
(dentro das condições daqueles países que fizeram a suas
revoluções burguesas pela via colonial).
O debate com a tradição marxiana passa pelo reconhecimento
de que, como profissão inserida na divisão sociotécnica do
trabalho, o Serviço Social compõe essa realidade complexa e atua
em condições sócio-ocupacionais que colocam limites objetivos
ao exercício profissional. Porém, como afirma Iamamoto (1994;
2007), essas condições objetivas não se constituem como absolutas,
predeterminadas e fundadoras de um ser apático diante do
mundo, padronizadoras de um determinado trabalho profissional
e de uma direção social reduzida à reprodução da ordem. O aporte
teórico-metodológico e ético-político é elemento que constitui o
fazer profissional e institui possibilidades de um exercício crítico
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e questionador, um campo de lutas e de construção de alternativas,
ainda que nunca abstratas, mas possíveis, ontologicamente
dadas e carentes de potência humana que as ponha em movimento
sem recaídas idealistas.
A apreensão e a adesão coerente da perspectiva marxiana e
de seus princípios fundamentais não se reduz, jamais, a um aprendizado
teórico efetuado no espaço das salas de aula das universidades.
Não se efetiva por meio de uma adoção “científica”
(puramente acadêmica) a um método para o estudo da realidade,
mas exige revisão de concepções (arraigadas no modo capitalista
de ser e de pensar – MARTINS, 1986), subversão na maneira de
ver e de viver em sociedade (ainda que se viva efetivamente na
ordem do capital), alteração radical na visão sobre o homem, o
mundo e suas relações tecidas cotidianamente. Significa, em
outras palavras, aderir ao ponto da vista dos que vivem da venda
da força de trabalho, da crítica à propriedade privada que se apropria
do trabalho alheio, mercantiliza as relações, subsume o valor
de uso em favor do valor de troca (MARX, 2004; 2005c MARX;
ENGELS, 1998). É por isso que a revolução é possível e necessária
ao gênero humano e à sua sobrevivência. Na singularidade do
exercício profissional, isso não significa que o assistente social
possa, por um “passe de mágica”, por um puro desejo pessoal
suicida, ultrapassar messianicamente os limites institucionais e
profissionais e viabilizar a própria emancipação social e das pessoas
com as quais trabalha, por meio da intervenção profissional
e dos programas sociais em curso. O reconhecimento do ponto
de vista da revolução significa, fundamentalmente, e esse é o
exato sentido disso, que na análise da realidade concreta temos
que reconhecer as contradições insolúveis sobre as quais se assenta
esse modo de ser e de pensar da sociedade regida pelo capital e sua
impossibilidade de “consertos”, de “remendos”. O capital e suas
consequências sociais estruturais não serão humanizados e controlados
por ações mediadas, revigoradas e viabilizadas por uma
profissão, nem mesmo por ações mais abrangentes que teimam
em acreditar nas reformas sociais sistêmicas como o caminho para
os ajustes necessários (embora determinadas reformas sociais
tenham seu valor como acúmulo de forças sociais, de resistência).
Ainda que institucionalmente não possamos promover ações que
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tragam a alteração dos elementos que estruturam a ordem burguesa,
a identificação de suas contradições, de seus antagonismos
e o exercício da luta de classes também expresso no âmbito
particular da profissão, são essenciais para que o Serviço Social
e os assistentes sociais possam dar uma contribuição no âmbito
das disputas materiais-ideológicas instauradas no atual contexto,
posicionem-se nesse “esterco de contradições” e fortaleçam os
interesses dos que vivem da venda da força de trabalho.
Nesse sentido, um dos elementos importantes é reconhecer
as assimetrias entre o projeto profissional e os projetos institucionais.
Do ponto de vista teórico-metodológico, ainda que as políticas
tenham um recorte sistêmico e identifiquem o fenômeno do
pauperismo como decorrente de “vulnerabilidades” (e esse é um
dado real com que se deparam os assistentes sociais no âmbito
das ações sociais hegemônicas), isso não significa, em hipótese
alguma, que os profissionais devam se adequar à perspectiva analítica
institucional, seus argumentos, suas ideologias, sua fundamentação
teórico-ideológica, como se “na prática a teoria fosse
outra”, ou seja, a adoção de uma perspectiva de totalidade seria
inoportuna, inadequada, prolixa demais, lenta, pouco aplicativa
e resolutiva dos problemas humanos. Ao contrário, somente a
aderência a uma direção social claramente transformadora, como
apoio e não como paradigma a ser “aplicado” à realidade, permitirá
identificar as causas geradoras das ditas “vulnerabilidades”
como decorrentes da sobreposição dos interesses do capital
sobre o trabalho, imediatamente manifestadas como “problemas
individuais” e ou “sistêmicos”. Como contribuir com o fortalecimento
dos sujeitos desapropriados-desumanizados (inclusive
os próprios assistentes sociais como trabalhadores particulares)
sem conhecer o processo que constituiu a gênese dessa desapropriação?
Aliás, diga-se de passagem, para a razão instrumental e
para suas derivações mais ou menos sistêmico-complexas (SILVA,
2013a), altamente úteis ao capital, não se trata de revelar essa
gênese, mas de gerenciar suas consequências criativamente.
Logicamente que as lutas sociais não se reduzem às lutas
profissionais. Elas se vinculam a processos complexos que envolvem
sindicados, movimentos sociais, partidos políticos, articulação
de forças sociais críticas ao capital e outras instâncias afinadas
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com as reivindicações daqueles que vivem do trabalho (a começar
pelo proletariado urbano clássico), que se situam, com todas
as suas contradições, no amplo e heterogêneo campo social comprometido
com o ponto de vista do trabalho. Todavia, o Serviço
Social como profissão e os assistentes sociais como profissionais
não poderão participar propositivamente desse cenário sem um
compromisso pessoal e coletivo, assumido em favor da emancipação
humana (MARX, 2009) e orientado pelo ponto de vista
da totalidade até aqui apresentado e defendido. Sendo assim, as
alternativas a serem tecidas não se resumem a um conjunto de
procedimentos determinados a priori, mas são geradas no movimento
do real, objetivadas com estratégias e aliados políticos
frente a uma dada correlação de forças, participando de fóruns
da área em que cada profissional atua, saturando as discussões,
repensando o sentido do trabalho socioeducativo desenvolvido.
Implica em pôr em movimento ações inspiradas na direção social
e no marco teórico aqui indicado, sem desconsiderar o “cotidiano
miúdo”, ainda que ele seja miúdo mesmo e, por sua natureza, seja
incapaz de solucionar questões amplas e complexas. Mas como capturar,
em favor do coletivo, o que o “miúdo” tem como potência
contestatória? Certamente, essa é uma questão a ser considerada
pelos que se situam no terreno da revolução necessária e possível,
não abstrata, como crítica radical à sociedade do capital,
como acúmulo de forças comprometidas com níveis crescentes
de emancipação social, na direção da emancipação humana, não
como simples soma de “direitos políticos miúdos” ou como rasteiro
aprimoramento da emancipação política burguesa.
As resultantes desse processo no trabalho socioeducativo
são claras: ao invés de reforçar posicionamentos meritocráticos,
individualistas ou culpabilizadores, irá estimular a organização
coletiva, a participação política, a leitura crítica do pensamento e
das ações dominantes reforçadoras da sociabilidade do capital. E
isso é essencial, faz diferença na vida das pessoas, pois elas poderão
usufruir dos pífios e fragmentados serviços oferecidos pelas
políticas sociais, não como quem “não é” (“não apto ao trabalho”,
“não apto a cuidar de seu próprio filho”, “incapaz”, “responsável
único e primeiro por suas mazelas”, objeto das ações em curso,
como “coisa desumanizada”), mas como aquele que tem direitos
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(reais) violados, como trabalhador que está sendo impedido de
acessar a riqueza socialmente construída, como despossuído, mas
capaz de seu ativo, participante relativo na construção de sua própria
vida. Daí o fato da opção ético-política do assistente social
estar diretamente vinculada à capacidade dele decifrar os complexos
mecanismos ideológicos que são colocados como suportes
de uma sociedade que estimula o individualismo, a utilização
predatória e inconsequente dos recursos naturais, que faz das
políticas públicas instrumentos de manutenção da atual configuração
de classes8. É nessa análise que se situa a perspectiva de
totalidade proposta pelo aporte marxiano, que discute a revolução
como superação da atual ordem, pois esta não será suprimida
apenas pelas mudanças conjunturais ou por meio de melhorias
que permitam maior acesso à renda pela via das políticas sociais.
Somente a reversão do trabalho alienado-estranhado, abstrato
(como fonte para a produção e reprodução do ser), a superação
da produção de valores de troca (em detrimento aos valores de
uso), portanto, a subversão da ordem do capital em que o ser que
se humaniza recupera sua potência criativa e a posse coletiva da
riqueza socialmente construída. Desse modo, será possível tecer
outra forma de viver em sociedade em que a exploração e a opressão
(nos seus diferentes níveis) serão permanentemente enfrentadas
de forma produtiva e verdadeiramente socioeducativa.
Quando se apreende esse fato, o Serviço Social parece
“perder a esperança” para aqueles assistentes sociais repletos
de boas intenções. Todavia, é preciso ter claro que a maturidade
teórico-política é fundamental para evitar expectativas messiânicas
que cultivem a ideia de que a profissão será capaz de reverter
situações que não são de sua responsabilidade, identificando
o que de fato ela pode fazer, o que não vem sendo feito, qual
é a trama que explica o significado social do Serviço Social, sua
8 “Está claro, assim, que o Estado foi capturado pela lógica do capital
monopolista – ele é o seu Estado; Tendencialmente o que verifica é a integração
orgânica entre os aparatos privados dos monopólios e as instituições estatais.
Donde uma explicável alteração, não apenas na modalidade de intervenção do
Estado (agora contínua, em comparação com o estágio concorrencial), mas nas
estruturas que viabilizam a intervenção mesma: no sistema de poder político,
os centros de decisão ganham crescente autonomia em relação às instâncias
representativas formalmente legitimadas” (NETTO, 1992, p. 22).
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inserção na divisão do trabalho, as demandas que a ele são atribuídas,
o que pensamos sobre elas, o que desejamos individualmente
e coletivamente para essa profissão, isto é, qual a direção
social a ser adotada e as consequências disso. O profissional consciente,
sem falsas ilusões, poderá agir como sujeito político-crítico
imprimindo ao trabalho profissional um perfil promissor, de
fato criativo, por isso crítico-crítico.
O atual contexto e sua lógica perversa têm trazido muitos
desalentos aos profissionais e estabelecido impasses verdadeiramente
cruéis e socialmente reais, nada desprezíveis. Aliás, à
medida que o capital descarta grande parte da força de trabalho
disponível, pela via direta ou indireta (diminuindo trabalho vivo
e ampliando trabalho morto sem diminuir a demanda pelo trabalho
alienado-abstrato), provoca o adoecimento da classe trabalhadora,
a intensificação desmedida de suas ações, com o apoio
do Estado (burguês). Com isso, situações absurdas são consideradas
“normais”, necessárias e inevitáveis, inclusive para impedir
o “corpo mole do usuário”, sua “malandragem” para evitar o
trabalho9.
Vale destacar, como exemplo, o atual contexto da assistência
social no Brasil. Ainda que o marco legal da Política de Assistência
Social estabeleça a assistência como direito e destaque à ênfase
sobre o preventivo, na realidade, essa política destina-se ao pauperismo,
aos trabalhadores nos seus diferentes níveis (sobretudo
os mais precários), estabelecendo claras condicionalidades
para o uso do “benefício” que, em tese, deveria propiciar seu
retorno ao “vasto” e “amplo” mercado de trabalho. Como parte
da Seguridade Social brasileira, a assistência social adquire vida
própria destacada de seus “parceiros” (a saúde e a previdência
social), como política focal, em si mesma. Trata-se, na verdade, de
política necessária, embora indigesta à burguesia e a seus ensinamentos
neoliberais, pois atende uma faixa da população que não
está “excluída” e não será “incluída”, mas está, na verdade, permanentemente
desapropriada como consequência direta da crise terminal
do capital, em sua fase monopólico-financeira de inspiração
9 A malandragem é absolutamente legítima quando utilizada como arma de
defesa contra a desumanização permanente. É ingrediente de sobrevivência!
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toyotista, capital este que não mais deseja comprar a força de trabalho
desses trabalhadores (exceto em condições muito especiais,
precárias e temporárias). Então, nós assistente sociais, na divisão
do trabalho social, temos que lidar com isso, com esse fardo que
pesa sobre a profissão e os profissionais. O que significa isso para
o assistente social? A ênfase da atuação profissional em programas
focalizados de renda, ditos “socioeducativos” e “emancipadores
da pessoa humana”, enquanto que o trabalho preventivo,
com maiores possibilidades de criação, não possui a prioridade
dos recursos investidos e não consome a maior parte do tempo
dos assistentes sociais10. Concretamente, isso quer dizer excesso
de demanda para o profissional de Serviço Social, com ênfase
em atividades destinadas a manter as pessoas vivas, marcadas
por ações repetitivas, institucionais e imediatas (marcadas pelo
status da gerência social). Significa conviver permanentemente
com a impossibilidade de contribuir – de fato – com a reversão de
quadros de extrema gravidade de violação de direitos, também
marcados pelo sofrimento mental, pelo abandono cotidiano, pela
autopunição e autocontrole dos “usuários” do serviço e dos próprios
profissionais11.
É evidente que a adoção de outra perspectiva analítica
que se oponha àquela utilizada pelo capital não elimina as dificuldades
do trabalho profissional (objetivamente estabelecidas,
materialmente dadas), mas certamente oferece as melhores
condições para que seja possível vislumbrar outras propostas,
inclusive, coletivamente. Para isso, a organização da categoria
dos assistentes sociais tem se mostrado um espaço importante
10 Não se pretende, com essa afirmação, atribuir à assistência social a culpa
pelos males atualmente vividos pela profissão. Como política necessária, tecida
sob dadas condições societárias impostas pelo atual estágio de acumulação
capitalista, a assistência social é marcada por contradições (portanto, também
por conquistas), mas que nem por isso deve ser blindada de críticas construtivas.
11 Não cabe, aqui, um aprofundamento sobre o espaço sócio-ocupacional
mantido pela assistência social e suas inúmeras contradições (tema que
extrapolaria o objetivo proposto nesse artigo). Sobre a relação entre o Serviço
Social, a atuação profissional dos assistentes sociais e a assistência social, tendo
por base os fundamentos teórico-metodológicos, ético-políticos e técnicoinstrumentais
da profissão, consultar Silva (2013b). Diversas abordagens podem
ser acessadas por meio dos estudos de Mota (2008), Sposati (2011a e b), Yazbek
(1993), Behring (1998; 2003), Behring e Boschetti (2006) e Boschetti (2003), por
exemplo.
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de interlocução política, principalmente por meio do conjunto
CFESS-CRESS, ABEPSS e ENESSO. É preciso, ao mesmo tempo,
ter clareza teórico-metodológica e capacidade para desvelar o
processo de naturalização e eternização das relações sociais burguesas,
suas particularidades e expressões no âmbito da atuação
profissional, apreendendo o trabalho (útil-concreto) como categoria
fundante do ser, embora ele esteja aviltado sob o mando do
capital (na sua forma alienado-estranhada, abstrata). Essa apreensão
do mundo humano como parte de um complexo ontológico,
movente, dinâmico, permite algo essencial: retira ilusões e
reafirma como critério da verdade a própria realidade que tem na
sua aparência uma forma imediata de constituir-se, que não necessariamente
evidencia suas “n” determinantes, composta por múltiplas
mediações, mas que só podem ser entendidas a partir de suas
diversas dimensões unificadas em uma totalidade concreta. Tem,
por isso, uma premissa real: só é possível ir além da aparência
quem acredita que existe algo não imediatamente revelado nela;
o mesmo vale para a busca da perspectiva de totalidade: só irá
buscar no real suas “n” determinantes quem estiver absolutamente
convencido de que somente pelo nível fenomênico (aparente-
imediato) não será possível explicar os complexos sociais
com os quais lidamos como assistentes sociais, mais do que isso,
como seres sociais ativos (sempre relativamente).
Por fim, o processo aqui tratado explica: a defesa da qualidade
na formação profissional (que passa pela crítica ao ensino
a distância na graduação, pela avaliação permanente das propostas
presenciais em curso e por inúmeros detalhes e múltiplas
mediações no âmbito da particularidade do Serviço Social), deve
insistir num perfil profissional generalista e intelectual, que valoriza
o pensar e o fazer (como instâncias inseparáveis, mas não
idênticas), que cuida do acúmulo teórico (não academicista)
como referência imprescindível à ação transformadora, que mira
a realidade e se utiliza do ponto de vista ontológico para produzir
conhecimentos genuinamente humanos, que considera a história
em processo e a atuação humana ativa-relativa inserida em dada
historicidade, como adaptação não passiva aos acontecimentos
históricos reais.
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COMENTÁRIOS FINAIS
O que se argumentou, até aqui, inspirado em Marx e em sua
tradição (no e para além do Serviço Social), é que o ponto de vista
ontológico (no sentido lukácsiano) estimula um necessário pessimismo
da razão, mas um realístico desejo otimista da vontade
como possibilidade aberta (como defendia Gramsci), como jogo
que está sendo jogado a partir de condições reais (sem qualquer
concessão messiânica-idealista e ou fatalista – IAMAMOTO, 1994).
Não se trata, aqui, de defender um único tipo de interlocução;
ao contrário, o debate entre diferentes marcos teóricos deve ser
amplo, franco, aberto, radicalmente crítico, não eclético, filiado
a pontos de vista (e o são, assumindo ou não). Portanto, não
neutro, pseudodefensor de sínteses aparentemente mais amplas
e modernas, não vinculado à estreiteza dos paradigmas e não
afeito às teorias que se tecem como “colchas de retalhos”. Esse
debate, na verdade, está contaminado por posições de classe,
por posições sociais concretas sobre os homens e suas ações no
mundo. Ora, como defender uma proposição crítica nessa realidade
sem a intenção e sem uma base teórica que permita uma leitura
mediata do real? A paralisia profissional não se deve à adoção
de um referencial que oferece a base intelectual e material para
tal análise (como se a teoria social de Marx fosse excessivamente
pesada e dura para os assistentes sociais – e não são poucos os
que afirmam isso dentro e fora do Serviço Social). Essa paralisia
niilista se deve, na verdade, à dureza real que marca a inserção
sócio-ocupacional dos assistentes sociais na ordem do capital em
sua fase madura e terminal. O que permite o estudo de Marx e de
sua tradição? A possibilidade de desvelar esse contexto e inserir-se
criticamente, ativamente, nele. Haveria outro caminho mais leve,
respeitoso, coerente e eficiente para a profissão e para os profissionais?
Leve talvez, dependendo do ponto de vista adotado,
mas certamente muito menos respeitoso, coerente e eficiente
para a realização do trabalho profissional crítico, da práxis profissional
comprometida com o Projeto Ético-Político Profissional,
como direção social estratégica. Ou será que a elegante posição
de “gerente do social” nos conforta?
Ações inspiradas em Marx e em sua tradição, dentro e
fora do Serviço Social, não permitem esquemas e modelos, mas
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contradição, movimento, complexidade, além de estudo permanente,
esforço e de muita dedicação. Há de se destacar, no
entanto, que as maiores dificuldades em optar por esse caminho
se vinculam ao fato de que ele, por natureza, é “contra a corrente”
(COUTINHO, 2008), estabelece uma crítica permanente
às relações instituídas e a este modo de vida hegemônico. Isso,
de certa forma, exige um repensar do ser social no mundo, para
além de uma simples qualificação profissional, como postura de
combate permanente frente às diversas formas de exploração e
opressão concretamente vigentes. É, portanto, a opção por resistir
e lutar numa conjuntura em que é mais fácil ceder, “cuidar dos
próprios problemas”, “da carreira e da felicidade pessoal” e “deixar
a vida nos levar”, como meros observadores de uma evolução
natural tão verdadeira quanto o movimento das ondas do mar! O
outro caminho, o da teimosia resistente (não suicida, mas firme
e clara)12, somente se sustentará a partir do trabalho individual e
coletivo dos sujeitos que compõem essa categoria profissional. O
desafio está posto e já faz algum tempo.
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UNESP –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais
Câmpus de Franca
Oficina Temática de Extensão em Saúde

O Grupo QUAVISSS convida a todos para participar da 4ª. Oficina Temática
“Violência e Sociabilidade”
suas expressões na saúde
Data: 25 de setembro
Local: Sala do 1o. ano de Serviço Social
Horário: das 17 às 19 horas

O enfrentamento dos desafios teóricos e práticos colocados para as profissões no contexto contemporâneo não pode prescindir do encontro das idéias, do debate e da reflexão.
Este diálogo entre estudantes, trabalhadores e docentes é fundamental para ampliar nossa participação na saúde.
Facilitador - Prof. Dr. José Fernando Siqueira da Silva
Líder do Grupo de Estudos Teoria Social de Marx e Serviço Social
Autor de vários artigos sobre Violência e Serviço Social

*Os 2 textos indicados para leitura prévia estão disponíveis no Blog do Grupo QUAVISSS - http://grupoquavisss.blogspot.com.br/